• Ana Seraceni - Mentora

[guia] Embalagens que se destacam: um guia para a sua marca

Atualizado: Mai 1

Falar sobre crescimento de marcas de produtos sem falar de design de embalagens é como falar sobre ter sucesso em uma entrevista de emprego vestindo roupas inadequadas para a cultura do empregador.


Existem algumas etapas mínimas para se chegar no desenho das embalagens de uma marca que quer crescer no mercado com uma identidade relevante e forte.


Você encontrará, nesse texto, primeiramente uma lista - e a respectiva ilustração - do passo a passo sugerido para isso e, em seguida, uma sequência de textos que objetiva aprofundar o assunto, de forma a fornecer informações que lhe ajudarão na condução do respectivo processo de decisão.


O meu objetivo, aqui, é tornar o processo do desenho das embalagens da sua marca mais robusto e assertivo, para que elas se tornem ferramentas poderosas de crescimento dos seus resultados e da sua relevância dentro do mercado.



Processo macro de design das embalagens



1) Definição do propósito da marca:


O propósito é a razão da sua empresa existir e a balança sobre o quanto a sua marca pode ser relevante para as pessoas. Sem propósito, não existe estratégia e nem sequer um direcionamento único para a tomada de decisões, incluindo sobre o design das embalagens. Aqui, parto do princípio de que uma marca não nasce para vender produtos, mas sim soluções integradas.


2) Identificação do público-alvo da marca:


Com base no propósito, a marca deve identificar qual público-alvo necessita dessa agregação de valor nas suas vidas dentro do formato que a empresa, com as suas capacidades, está apta a entregar. Nessa linha, desenha-se o perfil das pessoas que serão o foco do processo de criação de relacionamentos (de qualidade) por parte da marca.


3) Escolha do mix de produtos e precificação:


Com base no propósito e no público-alvo, a empresa determina o seu mix de produtos, ou seja, através de quais conjuntos de ferramentas o propósito terá maior potencial de ser entregue aos seus clientes e ao mundo, como um todo.


A precificação de cada produto também possui um caráter estratégico muito forte, inclusive na influência mútua entre o impacto que a embalagem gera na percepção de valor do produto e o impacto que o preço gera na decisão do design da embalagem. Esse tema, em específico, é tratado na parte final do texto.


4) Desenho da identidade visual da marca:


Com base no propósito e na identificação do perfil do público-alvo, principalmente no que se refere aos aspectos visuais que melhor comunicam a marca e que mais atraem seus futuros clientes, a identidade visual da marca é desenhada, considerando, por exemplo, paleta de cores, elementos, tipografia e regras.


5) Determinação da linguagem de comunicação:


Com base no propósito e na identificação do perfil do público-alvo, a marca escolhe como será a sua linguagem de comunicação, com o objetivo de se aproximar e criar relacionamentos de qualidade junto aos seus futuros clientes. Como exemplos de perfis de linguagens, podemos citar criativo, descolado ou formal.


6) Identificação dos pontos de vendas:


Com base na integração das informações sobre o seu propósito, o perfil do público-alvo e a escolha do mix de produtos e preços, a marca decide quais serão seus pontos de vendas, por exemplo supermercados de bairro, empórios, feiras, lojas naturais, website e/ou farmácias.


7) Escolha do designer e equipe para desenho das embalagens:


A escolha assertiva do designer é de extrema importância, considerando que o profissional precisa possuir, indispensavelmente, a capacidade de entender profundamente a marca e traduzir todas as suas demandas em uma embalagem visualmente atrativa para o seu público-alvo e, ao mesmo tempo, alinhada com o seu propósito e estratégia. Eu percebo, inclusive, que cada designer segue uma linha de estilo, fator importante para ser considerado nessa escolha, já que um designer que segue, naturalmente pelo seu perfil, uma linha mais minimalista não seria adequado para uma marca com perfil mais ostentativo.


Além disso, uma equipe multidisciplinar pode ser um grande diferencial para alavancar os resultados a serem obtidos no respectivo processo, fator que explico mais detalhadamente posteriormente.


8) Planejamento do processo:


O planejamento do processo é essencial para poupar esforços desnecessários, incluindo a montagem dos textos e de todas as informações que deverão ser incluídas nas embalagens, tanto de natureza regulatória quanto das informações sobre o produto, o nome do produto, as palavras e frases de efeito, os dados da marca, as ações para engajamento, entre outras.


O alinhamento entre as opiniões da equipe também é importante para que todos os aspectos considerados de maior relevância, para as decisões na formulação das embalagens, sejam considerados no projeto.


9) Execução e finalização do processo:


Aqui, é necessário muita comunicação, clareza nas trocas das ideias, abertura para ajustes e foco na excelência do resultado final, lembrando que o resultado final deve unir a essência da marca com as necessidades e perfil do seu público-alvo, fazendo com que as preferências e gostos pessoais de cada membro da equipe fiquem em segundo plano.


Essas são as etapas mínimas que recomendo para o desenho das embalagens da sua marca. Em seguida, apresento uma série de informações úteis para apoiar na execução dessas tarefas.


Recomendo reservar um tempo para lê-las.



Embalagem boa ou Embalagem ruim


Não que exista certo ou errado, ou mesmo um modelo ideal de embalagem, mas existem visuais que são atrativos para certo tipo de público, enquanto outros o afugenta.


As cores, estilos de letras e certos tipos de desenhos e formatos possuem o poder de gerar reações emocionais e comportamentais, sendo que diferentes composições geram diferentes respostas.


Uma pesquisa, realizada com 250 pessoas pelo designer gráfico Orlagh O’Brien, identificou, entre outras questões, quais cores são mais associadas com as emoções de raiva, alegria, medo, tristeza e amor, e o que, exatamente, as faziam senti-las. Veja, abaixo, como os resultados variam entre as diferentes emoções. Isso indica que, dependendo das cores e palavras que usar nas suas embalagens, as reações das pessoas em relação aos seus produtos mudam de forma relevante.


Cores


Gatilhos de origem (raiva e alegria)

Fonte (e mais detalhes sobre a pesquisa): http://www.emotionallyvague.com


Imagina, portanto, uma embalagem que remete tristeza para um cosmético, ou uma embalagem que remete rigidez para um produto de uma marca que tem o propósito de transformar a vida das pessoas?


Segundo a designer gráfica Paula Scher, conhecida mundialmente pelos seus trabalhos, “o design precisa levar em conta o comportamento humano”. Ela ainda complementa que o design não pode ser confuso, devendo “desenvolver uma linguagem visual forte, visível, compreensível e reconhecível”, ou seja, “você não precisaria ver a logo [da marca] para saber do que ela se trata ou o que ela representa”.


Deveria bastar ver uma embalagem para se ter uma boa ideia do que o produto entrega e qual é a intenção da marca, mesmo que ela seja desconhecida.

Estratégia por trás do design


O meu objetivo, no presente texto, é ir além da execução do design de embalagens, adicionando, a esse processo, um pensamento estratégico que garanta que o visual dos produtos esteja plenamente alinhado com o propósito da marca, garantindo, assim, a ausência de conflitos entre posicionamento e imagem pois, acredite, a recorrência dos conflitos dessa natureza é surpreendentemente comum.


Na prática, os idealizadores da marca sabem tudo sobre os produtos, mas o mercado não. Quando uma pessoa passeia no supermercado, ela é capturada por diversas informações, não só do produto, mas do seu telefone, da lista de coisas que ela tem para fazer fora dali, dos seus problemas e preocupações, dos seus sonhos… lista essa que não pára de crescer. Portanto, o tempo que cada ser humano dedicaria tentando interpretar um produto desconhecido seria, talvez, uma média de 10 segundos. Esses possíveis 10 segundos é o tempo que a sua marca possui para entregar as informações suficientes para o seu target se interessar pelo seu produto, dentro do ciclo: (i) ser chamado a atenção, na prateleira, em meio a outros trocentos produtos, (ii) pegar o produto para obter mais detalhes e (iii) se sentir atraído pelo que o produto oferece ao ponto de compra-lo.


Logo, caso a sua embalagem não se destaque na prateleira, já perdeu; caso a sua embalagem for atrativa visualmente, mas não apresentar informações claras sobre o que é o produto, perdeu; caso a sua embalagem for atrativa e tiver informações claras, mas essas informações, por sua vez, não deixarem claro os benefícios e o diferencial do seu produto, perdeu pelo preço.


É por isso que as embalagens dos produtos de prateleira são importantes para o crescimento das vendas e da marca e ajudam, de forma relevante, no aumento das vendas para novos clientes. Uma embalagem inadequada é um dos motivos que tantas marcas permanecem fadadas a venderem somente para as pessoas que já conhecem o produto, que são aquelas que fazem contato direto com seus fundadores, influencers ou bons vendedores. Ou seja, para essas marcas, o esforço de vendas e divulgação precisa ser muito maior.


Abaixo, apresentarei alguns exemplos práticos de embalagens de perfumes com apelos diferentes, ao mesmo tempo que deixarei a sugestão para você interpretar quais emoções, vontades e atrativos enxerga em cada uma delas, à primeira vista.


Imagina que você está em uma loja de perfumes e se depara com esses produtos das fotos.

Todos eles te atrairiam no mesmo nível? Se todos estivessem na mesma prateleira, quais você pegaria, no limite de 3, para sentir o aroma? Quais você deixaria por último para testar, se não tivesse tempo para conhecer todos? Qual você compraria, considerando somente a apresentação? Quanto você pagaria por cada um? Quais perfis de clientes você acredita que cada produto atrai?






Propósito ▷ Público-alvo ▷ Embalagens


Visuais diferentes proporcionam interpretações e sensações diferentes, levando a comportamentos diferentes.


Levando isso em conta, o design e as informações apresentadas nas embalagens dos seus produtos devem estar, primeiramente, alinhados com o propósito da sua marca. Isso porque o seu público-alvo, que é o grupo de pessoas que necessita e quer colher os benefícios que a sua marca proporciona, deve ser atraído, também, pelo visual.


Caso o design das suas embalagens atraia grupos de pessoas que não sejam parte do seu público-alvo, seu negócio está fadado a vender menos do que o seu potencial.

Além disso, caso a sua embalagem prometa, através de sensações e informações, algo que o seu produto não entrega, o seu negócio está, também, fadado a frustrar as pessoas. E essa é uma emoção que ninguém, que paga por algo, gosta de sentir.


Para ilustrar ainda mais o contexto, apresentarei, em seguida, os casos práticos de 3 marcas de cosméticos naturais:


Caso 1) Lola Cosmeticshttps://lolacosmetics.com.br


No site, a marca se posiciona da seguinte forma: “Escolha Lola, escolha ser feliz!”, complementando: “A Lola surgiu de uma escolha: Ser feliz! Levar a vida com bom humor desde que nada pareça dar certo, nem mesmo seu cabelo”.


A Lola Cosmetics é uma marca de cosméticos naturais, veganos e cruelty free para mulheres, e coloca: “Garotas boazinhas vão para o céu, garotas bacanas usam Lola”.


Algumas das embalagens dos seus produtos são:


Caso 2) Boni Natural https://lojabonibrasil.com.br


A bio do Instagram da marca coloca a seguinte expressão: “Quem ama, cuida”, e o seu compromisso com os seus clientes, no site, está descrito como "Atingir satisfação total de nossos consumidores/clientes oferecendo produtos de qualidade e alinhados com nossa visão e promessa da marca.”


Algumas das embalagens dos seus produtos são:


Caso 3) Previa Natural Haircarehttps://www.previa.it/pt/


No Instagram brasileiro, a marca italiana coloca: “Somos buscadores da beleza, amantes da autenticidade, profetas da inovação e fãs da natureza.” Já no site, a marca diz: “Nossa missão é cuidar da pele e dos cabelos respeitando a natureza e o meio ambiente que nos cerca.”


A Previa trabalha com produtos profissionais de cabelo, naturais, cruelty free, com embalagens sustentáveis e “fragrâncias exclusivas criadas com a colaboração de mestres perfumistas de primeiro nível”.


Algumas das embalagens dos seus produtos são:


Aqui eu faço, novamente algumas perguntas sobre as 3 linhas de embalagens, considerando o visual:

1) Quais das 3 marcas te atraem mais e por quê?

2) Quais produtos você compraria, considerando somente a apresentação visual?

3) Aqueles que você compraria, seriam para qual tipo de uso (ex: dia-a-dia, tratamentos especiais)?

4) Quanto você pagaria por cada um?

5) Qual perfil de clientes você acredita que cada produto atrai?

6) Qual perfil de loja você entende que esses produtos combinam mais?

7) Você acredita que as embalagens espelham as propostas de cada uma das marcas?



Somente o designer não basta


A escolha das embalagens deixa de ser um fator limitado ao design, e entra em um mérito de relevância estratégica e, por isso, o envolvimento de uma equipe multidisciplinar para essa decisão, considerando profissionais com conhecimentos complementares, é bastante útil para se conseguir resultados diferenciados, por exemplo (mas não se limitando a), especialistas em:


☇ Finanças, para opinar sobre custo vs benefício do investimento,

☇ Marketing estratégico, para opinar sobre o alinhamento com o público-alvo e mercado,

☇ Vendas, para opinar sobre as dificuldades das pessoas em entenderem os produtos e as demandas gerais dos clientes por informações que levam à decisão de compra,

☇ Compras, para opinar sobre possibilidades e novos lançamentos de mercado em relação a materiais (vidros, etiquetas, embalagens sustentáveis, por exemplo),

☇ Designer, que deve transformar todas as informações em um layout atrativo,

☇ Produção, que deve opinar sobre a relação da embalagem com a eficiência produtiva,

☇ Corporativo, que deve opinar sobre o alinhamento da embalagem com o propósito e a estratégia do negócio.


Para uma micro ou pequena empresa, que não possui áreas departamentalizadas, é importante que todos esses aspectos sejam considerados, sendo recomendado a troca com profissionais que possam apoiar a marca no processo.


Também é imprescindível que o designer possua as habilidades de escutar, compreender e executar, profundamente, o propósito da marca e todo o perfil de cada produto no design da embalagem, considerando, por exemplo os seus benefícios, impactos, objetivos, conteúdo, emoções causadas, público-alvo, momento de consumo, lugar de consumo e locais de venda.


Todas as informações devem ser traduzidas em palavras, frases, texturas, cores, formatos, formas, elementos, imagens e composições.



A psicologia da embalagem do seu produto: tristeza ou alegria, calma ou energia?


A designer Ingrid Fettel Lee fez uma pesquisa com o objetivo de entender como os aspectos tangíveis nos fazem sentir uma alegria intangível. Durante a pesquisa, ela percebeu que existem padrões repetitivos das imagens que fazem as pessoas sentirem alegria, como flores de cerejeira, arco-íris, balões, sorvetes com granulados, bolhas de sabão e piscinas, itens que ela chamou de proporcionadores universais de alegria.


Dessas imagens, ela também percebeu padrões, como formas circulares, cores vivas, formas simétricas e formas que dão a sensação de abundância, multiplicidade, leveza e/ou elevação, o que ela chamou de “estética da alegria”.


Na mesma linha, a Ingrid menciona uma pesquisa feita por neurocientistas, que mostraram algumas imagens para pessoas alocadas em aparelhos de ressonância magnética. Essa pesquisa concluiu que imagens com formatos angulares geram medo (a amígdala do cérebro, nossa detectora de perigos, brilha), ao contrário das imagens com formas circulares. Segundo ela, os pesquisadores suspeitam que nós, seres humanos, associamos objetos angulares com elementos perigosos da natureza, como chifres de animais e espinhos de plantas, ao contrário dos objetos circulares, através dos quais suas curvas nos deixam mais à vontade e seguros.


Assistindo ao documentário sobre a designer Paula Scher (da série Abstract), ela qualifica algumas identidades visuais de marcas como “ruidosa, poderosa, clássica e industrial”. Segundo ela, o design é capaz de criar uma personalidade diferente para cada marca ou produto, dependendo de cada traço e cada tamanho do traço, além das cores, formatos e elementos escolhidos. Ela chama esse processo de “tecer informações para criar algo maior”.


O fato é que muitas marcas, ainda, por falta de conhecimento ou outros motivos, ignoram o poder do visual das suas embalagens, começando pela falha no processo do design da sua própria identidade visual ou, inclusive, por criar embalagens completamente desconexas com a mesma.



Natural = árvore = marrom e verde


Um exemplo clássico que acompanho no mercado são as embalagens de produtos naturais alimentícios: muitas ainda são destacadas pelas cores verde e marrom. Eu penso que o designer, que não necessariamente se aprofunda sobre o comportamento do público-alvo de cada uma dessas marcas em específico, deve associar produtos naturais com a natureza e, então, a natureza com árvores, gramas, terra e, como esses elementos são marrom e verde, as embalagens dos produtos naturais também devem ser. Faz sentido?


Sim, pode fazer algum sentido, e o meu papel nesse texto não é dizer que só um jeito de desenhar embalagens é o correto, mas sim chamar a atenção para a busca de mais estratégia para essas escolhas e processos.


As informações e layouts das embalagens não devem focar na natureza do produto somente, mas também nos seus benefícios e no perfil do público-alvo. E, indo além, as embalagens devem estar alinhadas com o propósito da marca e os seus desdobramentos.


A responsabilidade do design estratégico das embalagens é da marca, e não do designer sozinho.


Toda ação gera reação


O simples fato de que o ser humano julga pela imagem é percebido diariamente, mas também existe o fato de que nós apreciamos o belo, no sentido da beleza inconscientemente percebida e não dos padrões de beleza.


A própria natureza é constituída de padrões inteligentes de formatos, medidas, cores, sons, constância e simetrias. Vide materiais sobre geometria sagrada, botânica, física e outras ciências para entender esses fenômenos.


Toda ação gera uma reação.


Texturas, cores, formas, simetrias são ações de design que geram reações, com base em cada escolha. Veja as ilustrações a seguir, de embalagens criadas com diferentes texturas e formas:



Seguindo as fotos com as perguntas comportamentais:

1) Quais embalagens te atraem mais e por quê?

2) Quais produtos te atrairiam em uma prateleira para saber mais, e quais não?

3) Quais produtos você compraria, considerando somente o visual?

4) Como você descreveria a marca olhando para cada embalagem?

5) Quanto você acredita que vale cada produto, em média, julgando pelo visual?

6) Qual perfil de clientes você acredita que cada produto atrai?

7) Qual perfil de loja você entende que esses produtos combinam mais?



Eu sou o produto que você deseja


Além da relevância da carga emocional e da mensagem sobre o produto que a embalagem, por si só, comunica, também é importante falar sobre a disposição das informações distribuídas no seu corpo.


Hoje, conscientemente e organizadamente ou não, nós ditamos prioridades para o nosso dia-a-dia. A falta de tempo para fazer tudo o que gostaríamos e mais tudo o que o mundo nos demanda, nos impede de nos aprofundar em varias circunstâncias e assuntos que ficam disponíveis a nossa volta, mas acabam passando despercebidos. Conhecer todos os produtos existentes nas prateleiras é um deles.


Portanto, cabe aos consumidores se abrirem para experimentar e consumir marcas, ainda desconhecidas, que estão trazendo novas soluções para o bem-estar do mundo, mas cabe, também, a essas marcas investirem, assertivamente, em comunicarem os seus propósitos de forma clara e alinhada.

Depois que o visual da embalagem da sua marca chama a atenção de uma pessoa, ela vai ler o que está na sua embalagem para saber detalhes sobre o produto e, mais ainda, analisar o que ele agregará na sua vida comparado com o outro item ao lado, talvez até mais barato.


Porém, no espaço de uma embalagem não cabem muitas informações, mesmo porque, caso você lote os espaços, lá se foram os 10 segundos que o seu target lhe deu de presente para ser convencido a fazer essa compra. Portanto, objetividade é muito importante mas, mais do que isso, clareza sobre o propósito da sua marca e como cada produto específico entregará esse propósito ao seu cliente é ESSENCIAL para decidir quais informações colocar, nas suas embalagens, sobre o produto e sobre a marca.


Adicionalmente, ressalto a importância da escolha de palavras e termos que o seu público-alvo compreende e se identifica.


Se você usa a palavra harmonia como benefício do seu produto, garanta que o seu público interpreta a palavra harmonia como você pensa que ele interpreta. Entenda como os seus futuros clientes se comunicam, interpretam e pensam antes de escolher as palavras que vai usar para se comunicar com eles na sua embalagem. Saiba que as outras pessoas não necessariamente funcionam como você e que, se você produz esse tipo de produto, você é especialista nele (e na linguagem do respectivo segmento) e os seus clientes-alvos, na sua maioria, não são.



Não use letra de médico


Outro ponto: não use letras (tipografias) difíceis de ler e entender. Lembre-se dos 10 segundos e de que, quando a pessoa ainda não está muito interessada na sua marca, qualquer esforço maior que ela tenha que fazer para saber mais sobre o seu produto, a levará a desistir e passar para a próxima atividade ou para o produto ao lado que ela já provou ou que está mais atrativo e prático de entender.


As pessoas, em geral, não têm tempo ou disposição para ficar interpretando o que é o produto: falta de informação e excesso de confusão prejudicam o crescimento da marca.


Cada detalhe da sua embalagem faz a diferença.


Falando em confusão: minimalismo ou ostentação?


Eu, particularmente, gosto do lema "menos é mais", mas essa não é a preferência de todos. Talvez, o termo correto para tratar desse tema seja equilíbrio; o problema é que as noções de equilíbrio variam muito de pessoa para pessoa e profissional para profissional. O fato é que nem todos possuem a habilidade de criar harmonia em uma composição entre cores, elementos, imagens e palavras. Realmente essa não é uma tarefa fácil.


Minimalismo seria uma embalagem com poucas mesclas de informações, cores, elementos e imagens. Menos é mais, literalmente. Ostentação seria o outro extremo de lotar a embalagem de tudo isso, criando uma composição ousada. Entre os dois, existem muitos pontos de meio termo, e cabe à marca decidir, estrategicamente, qual é o ponto que mais corresponde à sua identidade e ao gosto do seu público.


Porém, uma marca que escolhe poluir as suas embalagens de informações, corre alguns riscos, por exemplo:


✕ Não dar prioridade para as informações de efeito, que realmente importam para o cliente e fariam a diferença no seu processo e decisão de compra,

✕ Confundir o cliente no sentido de dificultar o entendimento dele sobre o produto e a marca,

✕ Abrir espaço para a embalagem ficar "feia", do ponto de vista estético (de novo, não do ponto de vista dos padrões estéticos da sociedade, mas dos padrões estéticos naturais de harmonia).


Ao mesmo tempo, inserir pouquíssima informação pode levar aos mesmos riscos, pasme pela coincidência. Por isso, essa decisão é demasiadamente estratégica e não deveria recair somente nas mãos do designer.


Seguem algumas imagens de embalagens que variam nas suas composições, para você analisar as diferentes sensações e impressões sobre os produtos obtidas, pura e simplesmente, dos seus visuais minimalistas, ostentativos ou presentes entre os seus diversos meios termos:








Qual foi a sua sensação ao olhar para cada uma dessas embalagens?



Preço e sustentabilidade


Eu não poderia deixar de inserir um tópico, nesse tema ou em qualquer outro relacionado ao mercado de business, sobre dinheiro e sustentabilidade. E mais: faço questão de colocar os dois juntos porque, não só acredito que um não elimina o outro, mas também acredito que os dois caminham juntos.


Nenhuma marca sobrevive sem dinheiro, assim como nenhuma marca possui recursos sem um Planeta saudável. Ambos devem fazer parte do dia-a-dia de todos os negócios.

Sem querer negar, a sua embalagem também influencia (e muito!), no valor que as pessoas estão dispostas a pagar pelo seu produto.


Como você deve ter percebido, cada visual de embalagem possui o potencial de indicar o quanto aquele produto vale. Eu tenho uma história interessante sobre uma brincadeira de um amigo que colocou um líquido de espumante mais barata em uma embalagem de uma champagne de primeira linha e deu para uma pessoa beber. O resultado foi que a pessoa bebeu e, automaticamente, sentiu o prazer advindo do privilégio de consumir a champagne, e não a espumante. Nesse caso, a marca pesou, mas o design das embalagens gera um efeito parecido.


Algumas embalagens comunicam uma mensagem de que o produto é caro porque ela proporciona um valor agregado implícito, enquanto outras passam uma mensagem de que o produto não agrega tanto valor e, por isso, não merece muito dinheiro em troca. Independentemente dessas interpretações serem reais ou não, ou seja, sem entrar no mérito de concluir que as embalagens espelham a qualidade dos seus conteúdos ou não, o ponto é que, assim como as roupas que você veste possuem um potencial relevante de conduzir a imaginação dos outros sobre você, as embalagens de um produto também.


Volte nas suas respostas sobre o quanto você pagaria por cada produto com base no visual de cada um. Eu ousaria dizer que as suas respostas variaram. As minhas variam, diariamente, quando entro em contato com produtos em eventos, feiras, internet ou lojas, com uma exceção: se eu já conheço a marca ou os seus donos e sei que os produtos são bons.


Isso não quer dizer que você deve escolher uma embalagem de luxo para subir o preço do seu produto, mas sim que você deve alinhar o design da sua embalagem a ele e ao seu preço e, por sua vez, o seu preço deve estar alinhado com o quanto o seu público-alvo pode pagar ou, melhor, estaria disposto a pagar pelo produto.


Alinhamento é a palavra-chave de todo o seu negócio.

Novamente, não existe um certo ou um errado universal, mas sim as escolhas mais adequadas para a sua marca.


Tão importante quanto (ou mais importante) do que o ganha pão, é a sustentabilidade da sua embalagem.


Atualmente, com tantas informações que temos sobre impactos ambientais e saúde, e com tanta tecnologia disponível, seria inconcebível pensar que qualquer marca não planeja a sua embalagem para causar o mínimo de impactos negativos possíveis, seja na escolha da matéria-prima ou na sua política de logística reversa.


Por favor, gente!


A WWF divulgou um estudo, no ano passado, que constatou que o Brasil é o 4º país que mais produz lixo plástico no mundo, atrás somente dos EUA, China e Índia, reciclando somente 1,3% da produção coletada. Cada brasileiro produz, em média, 1kg de lixo plástico por semana.


As marcas, independente dos seus tamanhos, podem e devem fazer diferente. Vamos fazer parte da solução.


Muito obrigada!


Encerro esse texto, muito especial de escrever, com a seguinte pergunta: quais são as pontas soltas que, com base na sua leitura, podem estar impedindo a sua marca de crescer e ganhar relevância?


Fico à disposição para trocarmos mais.


Grande abraço, Ana Seraceni

falecom@vhcompany.com.br

(47) 99114-8471

@vhinsights

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